Etapas da indução ao transe

Introdução

  

Para que uma pessoa seja induzida a hipnose, lembrando que toda hipnose é uma auto hipnose, se precisa cumprir alguns passos, como a hipnose é um estado natural da mente humana, convencionalmente não temos o controle da hipnose, contudo, se cumpridos alguns requisitos, qualquer pessoa pode se induzir ao estado de transe, este artigo tem por objetivo primário discriminar os quatro passos de induzir uma pessoa ao transe.

Pre-talk

  

Como já deixa explicito o nome do primeiro passo, o Pre-talk é uma conversa prévia que o indutor, hipnólogo, tem com o paciente antes de querer induzir o mesmo ao transe, pelo simples motivo de que o Pre-talk é responsável direto pela “hipnose funcionar” ou não. No Pre-talk o hipnólogo estará explicando quatro tópicos de suma importância, sendo eles:

 

· O que é a hipnose

· Exemplos de hipnose

· Medos, mitos e dúvidas sobre a hipnose

· Benefícios da hipnose


Estes quatro tópicos são o conjunto formador do Pre-talk, sendo o Pre-Talk responsável por cerca de 60% de todo o processo de indução a hipnose, sendo aqui onde o paciente passa de um desconhecido para uma espécie de tesouro aos olhos do hipnólogo, devendo ser cuidado e protegido de forma ética e profissional da mesma forma que alguém cuidaria de um grande caldeirão recheado com brilhantes dracmas de ouro grego, a mente humana é o maior tesouro de uma pessoa, sem ela não somos nada, sem ela não há vida e por tanto o presente leitor não seria existente. No primeiro ponto do Pre-talk o hipnólogo deve conseguir que o(s) paciente(s) entenda(m) que a hipnose nada mais é que foco e concentração, um estado natural da mente humana de desvio de foco, não é mágica ou ilusionismo, simplesmente um processo que vai acontecer no mínimo 34, trinta e quatro, vezes ao dia com qualquer pessoa, todavia ao ler um livro, por si só já gera um estado de transe hipnótico, o leitor, não presta atenção em coisas externas, se dedica exclusivamente a leitura, assim como você que com seus olhos focados nas linhas de letras que em um espaço temporal anterior escrevi, agora está em transe. Parabéns. 

Medos com relação a hipnose nunca devem ser vistos como objeto de chiste, se trata de um ponto que por uma histórica ironia carrega séculos de receio no mesmo assunto, perda de controle, o maior pesadelo da raça humana, o desconhecido é o fator de maior pavor para qualquer pessoa, aceitar que uma pessoa que a pouco falava com uma terceira e depois de um comando seguido de um estalar de dedos ela pode vir a alucinar que a pessoa que antes ela conversava agora se torna um ícone que a pessoa hipnotizada tem apreço, é assustador, porém, independente da opinião de qualquer autoridade no mundo, por maior que seja sua longa e extensa coleção de papéis lhe intitulando de doutor, a hipnose é real e segura, esse é o papel do hipnólogo, fazer os pacientes entenderem isto, do contrário, temos então um paciente com um problema não resolvido e um “profissional” ignorante.

Os benefícios da hipnose podem ser suprimidos numa sessão de entretenimento, jamais na clínica, muitas vezes pessoas que se dispuseram a estar sob responsabilidade de um hipnólogo para passar pela melhor experiência da vida delas, não necessariamente estão muito interessadas em saber os benefícios da hipnose pelo fato de que elas por si só já tem um preconceito do que exatamente vai ou pode ocorrer durante o processo de hipnose de entretenimento, elas já querem, o hipnólogo não está passando o trabalho de ter que convencer alguém a passar pela hipnose, prova disso, são todas as pessoas que pagam para assistir aos shows de hipnose ou até mesmo ter a chance de serem escolhidas para participar do show como voluntárias, isso é um cenário, um cenário ideal onde todos querem um determinado objetivo mesmo que não sendo exatamente o que eles almejam, mas é algo, um paciente de hipnoterapia precisa saber pelo fato de você incrementar informações antes inexistentes ao fator crítico deste paciente desesperado. Saber os benefícios da hipnose é uma dádiva, repassar para terceiros é bom senso.

Contrato hipnótico

  

Haja vista as condições explicitas anteriormente e os cenários que numa distinta probabilidade se encontram os pacientes, entretenimento ou clínica, o contrato hipnótico nada mais é que a discriminação dos deveres do paciente, sendo eles:

 

· Entender o que o hipnólogo/hipnoterapeuta está falando

· Seguir as instruções do hipnólogo/hipnoterapeuta

· Querer passar pelo processo


O paciente entendendo e aceitando estes três pré-requisitos, se passa automaticamente para os deveres do hipnólogo ou hipnoterapeuta responsável pelo processo em questão, que no caso exclusivo da Hipnos Centro de Hipnose, não se responsabilizando pela maneira certa ou errada de outrem que se intitule hipnólogo ou hipnoterapeuta, são:

 

· Dar a melhor experiência que o paciente possa ter com a hipnose

· Ser ético e transparente ao decorrer do processo

· Completo sigilo dos assuntos entre H.C.H. e paciente


O Contrato Hipnótico é nada mais que um aprofundamento no segmento do ramo da hipnose para a palavra chave do convívio em sociedade, ética.

Convincer = Convencer

  

Após todo o processo de conversação com o(s) paciente(s), é começada a parte prática do processo hipnótico, sendo a partir deste ponto que a “mágica” para muitos e o trabalho para a equipe Hipnos começa a criar corpo, os convencer são exercícios de concentração para que o paciente possa se colocar em um estado alterado de consciência e possa futuramente atingir o tão aguardado transe. Os convincers trabalham com o que intitulamos, hipnólogos e hipnoterapeutas, de Looping Hipnótico, ou seja, o que faz a indução hipnótica se desenvolver, vejamos ela:

 
 

Crença --> Imaginação --> Fisiologia --> Experiência --> Amplifica --> Crença --> [...]

 
 

Vejamos que a partir do momento que se tem uma crença, seja ela positiva ou negativa, quando se imagina algo, o seu cérebro manda um comando ao seu corpo, o que nos leva diretamente para a fisiologia, por sua vez, ao responder positivamente a imaginação se torna uma experiência, ou seja, algo ou alguma coisa que aconteceu de fato no corpo do paciente, a partir desse fenômeno, o paciente se transfere para a próxima etapa do Looping Hipnótico e vai para o amplificador que agora por sua vez, amplifica ou até mesmo cria uma crença no paciente que nesse sistema de looping, estimula cada vez mais a hipnose no seu corpo e na sua mente, aprofundando cada vez mais o paciente no transe hipnótico que começa a se desenvolver desde o primeiro convincer. Convincers são exercícios práticos como colar os dedos, colar as mãos ou até mesmo colar a cabeça do paciente na cabeça dele, fazendo assim que ele possa perceber ainda de olhos abertos, sem sequer ter passado por uma indução, como a hipnose é apenas um estado natural da mente.

Indução

  

A indução é o que todo hipnólogo em formação almeja, como se falar a palavra “durma” resolvesse os problemas da vida e a paz mundial fosse instaurada pela sua determinação em induzir alguém ao transe, é compreensível, todos nós quando amamos algo, falo no sentido Philia mesmo que o ser humano tenha a incrível habilidade de Storge por coisas muitas vezes inúteis, desejamos incansavelmente fazer o que amamos, estar com o que amamos e para a equipe Hipnos, estar com pacientes é o que amamos, porém, a “estrada” é longa e já passamos da etapa em que os novos hipnólogos estão, de se animar e se impressionar com uma pessoa “colando” as mãos. A indução nada mais é que uma organização de fenômenos simultâneos correlacionada com uma instrução previamente passada ao paciente, porém, no momento da indução, o paciente já estará com o subconsciente alterado e ativo, contudo, é aqui que o hipnólogo deve “cansar” o consciente, para fazer o que tecnicamente falando se intitula Indução de Choque, porém, como leigos no ramo da hipnose estranharão o termo, foi-se denominada uma segunda intitulação, Indução Instantânea, onde o hipnólogo dá diversos comandos ao paciente para que o mesmo realize todos ao mesmo tempo e “DURMA”, temos um paciente em transe.

Considerações Finais

  

De acordo com o exposto, podemos ver que a indução a hipnose é de fato um processo “simples”, contudo, o que se faz após isso e como termina isso, fica à mercê da preparação e experiência do hipnólogo ou hipnoterapeuta, dependendo do cenário do paciente. Foi discriminado também no corpo desta obra, que o paciente está no controle durante todo o tempo da sessão e isso é sem dúvida a informação de maior valor que um hipnólogo pode reter.


Filipe Luís Souza

Hipnólogo, Hipnoterapeuta & CEO

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